quarta-feira, 18 de maio de 2011

Raiva


       Se ela pudesse dizer tudo que sentia, ela diria. Se pudesse mostrar o que guardava ali dentro do seu peito, deixaria muitas pessoas assustadas. Ela não se importava. Tinha vontade de evaporar e ,junto com ela, evaporar aquela ponta de raiva que lhe consumia como se não houvesse fim. Já havia se sentido assim uma, duas, quem sabe três vezes. Entretanto, este sentimento se tornava mais forte e lhe tomava conta. Quem, um dia, iria imaginar que ela poderia possuir tal sentimento? Ela sentia, mas não demonstrava.
       Se queria chorar, sorria, para disfarçar. Se quisesse gritar, falava baixinho. Se sentisse raiva, era mais difícil disfarçar. Tentava frear esta raiva, fingia esquecer. Apenas fingia!
       Ela sentia aquilo tudo aumentar. Como fosse explodir, jogou tudo para o ar. Falou tudo o que sentia. Deixou todos os sentimentos, que estavam guardados ali há anos, saírem com facilidade. Terminou seu desabafo, levantou e deixou o lugar se sentindo bem. Se sentia bem pois havia libertado tudo que sentia. Libertara em cima da pessoa que tinha lhe feito guardar tantos momentos que pedia pra esquecer.
      Ela se foi como sentisse o vento a levar. Se sentia forte, acreditando que agora conseguiria se erguer e continuar em frente. Já estava cansada de guardar sentimentos amargos, de não demonstrar  o que queria. Ela cansou. Se foi sem deixar nenhum vestígio do seu carinho. Deixou para trás apenas o peso que lhe consumia e lhe destruía.

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